De Fukuoka a Seki

Vida e forja

Um fotógrafo amador que deu com uma forja, entrou na oficina de Fujiwara Kanefusa e acabou por reconstruir uma espada perdida.

Nesta página
  1. A vocação e a aprendizagem
  2. A oficina de Shitsuno
  3. Museus e oferendas
  4. O projeto Hotarumaru
  5. O arqueiro

A vocação e a aprendizagem

Nasceu em 1985 na cidade de Fukuoka e terminou o secundário em 2003. No liceu, numa saída do clube de fotografia, visitou a forja 大庭鍛冶工場 (Ōba kaji kōjō) e ficou impressionado com o ofício. A família não era de ferreiros; a mãe, que pratica a cerimónia do chá, incentivou-o a experimentar ofícios e artes.

Em 2005 entrou na oficina do 25.º Fujiwara Kanefusa (藤原兼房日本刀鍛錬所, Fujiwara Kanefusa Nihontō Tanrenjo), em Seki; em 2010 a Agência para os Assuntos Culturais deu-lhe a aprovação para forjar, e em outubro de 2011 tornou-se independente.

Um homem jovem sorridente, de branco e com um lenço na cabeça, de pé diante da frágua.
De pé diante da frágua. Foto: o próprio ferreiro

A oficina de Shitsuno

A sua oficina, 福留房幸日本刀鍛錬場 (Fukudome Fusayuki Nihontō Tanrenjō), fica em Shitsuno (志津野, Shitsuno), em Seki. Em 2021 estava a converter uma antiga fábrica com habitação na nova forja, com martelo-pilão, e entretanto trabalhava sobretudo em gravuras. Inaugurou-a com a cerimónia do acendimento do fogo, o 火入式 (hiire-shiki), a 30/11/2024.

Museus e oferendas

Colaborou com o Museu Peabody de História Natural da Universidade de Yale na sua exposição «Samurai» de 2015, na qual deu uma conferência e à qual emprestou uma uchigatana sua de 30/03/2015 a 03/01/2016. Colaborou também com o Museu da Prefeitura de Gifu na exposição de Kanesada (2018) e na dos espadachins e das espadas de Mino do Bakumatsu (2019), e em 2020 ofereceu uma espada ao santuário de Atsuta (熱田神宮, Atsuta Jingū) com um grupo de voluntários.

Numa série do Museu da Prefeitura de Gifu em que cada convidado escolhia a sua espada favorita da coleção, ele escolheu uma lâmina com a assinatura em laca vermelha 朱銘 兼氏 (shu-mei Kaneuji), pelo seu hamon quase hitatsura com tobiyaki, o seu duplo hi regular e o seu ferro fino apesar do desgaste.

O projeto Hotarumaru

Em 2015 fundou, e preside-lhe, a associação 一般社団法人蛍丸記念刀剣文化遺産伝承会 (Ippan shadan hōjin Hotarumaru Kinen Tōken Bunka Isan Denshōkai), criada para reconstruir o Hotarumaru, o ōdachi perdido do santuário de Aso (Kumamoto). Segundo Kōroki Fusaoki, o seu companheiro de oficina, que foi cofundador, a campanha de financiamento coletivo superou a meta em cinco horas. Decorreu de 01/11/2015 a 29/01/2016 e reuniu 8,2 vezes a meta.

Os dois fizeram uma forja ritual no santuário a 27/02/2016, a cidade de Aso filmou a têmpera da réplica em agosto de 2016 e a 17/06/2017 ofereceram-na ao santuário. A cópia de reserva, o 影打 (kageuchi), doaram-na em 2017 ao 関鍛冶伝承館 (Seki Kaji Denshōkan), o museu da forja de Seki, onde está exposta de forma permanente. Em outubro de 2023, a entrega da montagem estava prevista para 18/11/2023 em Aso, e com ela encerrava-se o projeto.

Duas espadas muito longas e curvas expostas em vitrinas, uma sobre um pano branco e outra num suporte transparente, com fotos atrás.
Os dois ōdachi do Hotarumaru-utsushi (蛍丸写し, Hotarumaru-utsushi), expostos. Foto: comércio no Japão

O arqueiro

Pratica kyūdō (弓道, kyūdō), com o título de renshi (錬士, renshi) e o 5.º dan, e o tiro a pé do estilo Ogasawara (小笠原流, Ogasawara-ryū). Por isso forja muitos tantō e maezashi para arqueiros, e também pontas de flecha.