Guia
O que é preciso saber para ler uma ficha: como se chama cada parte, o que separa um período do seguinte e o que atesta cada papel da NBTHK.
Reproduzir: The SOUL of the KATANA 日本刀ノ魂 (Nihontō no tamashii) – Master Swordsmith Documentary
The SOUL of the KATANA 日本刀ノ魂 (Nihontō no tamashii) – Master Swordsmith Documentary · Discover Culture Japan
21:55 · 21/01/2023
Documentário: Yoshindo trabalha o aço em bruto até chegar à espada.
História
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Os samurais e a sua espada
Samurai é uma palavra que se usa para tudo e explica pouco. Aqui fica a classe guerreira tal como a documentam as fontes: de onde vem, como se ordenava por dentro, porque é que a espada se tornou a sua insígnia e quanto pesou de facto no combate, até o Estado Meiji a dissolver. A história da lâmina, período a período, está em «Períodos: do jōkotō ao shinsakutō».
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Espadas célebres e lendas
Umas poucas espadas japonesas têm nome próprio, uma sucessão de donos que se pode seguir e uma lenda que muitas vezes pesa mais do que a história. Este tema separa as duas coisas: o que é um meibutsu e quem os catalogou, quais são as cinco espadas sob o céu e onde estão hoje, o que se sabe de Masamune e de Muramasa para lá do mito, e que espadas célebres se perderam. Quando o que se conta é uma lenda ou a opinião de um só autor, diz-se.
A lâmina
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Anatomia da katana
Uma katana é um objecto composto: uma lâmina forjada que pode ter séculos e uma montagem que quase nunca é da mesma época. Saber nomear as suas partes é o primeiro passo para ler uma ficha ou um certificado, porque quase todo o vocabulário do colecionismo descreve geometria: onde acaba a ponta, quanto resta do espigão original, que peça segura qual. Ficam aqui os trinta e dois termos mais frequentes.
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Tipos de lâmina
A espada japonesa classifica-se primeiro pelo comprimento da lâmina, depois pela montagem em que era usada e só no fim pela secção do fio. Saber a que família pertence uma lâmina situa a sua época e explica para que foi feita. Aqui estão as formas que aparecem nos catálogos, com as medidas em centímetros e em shaku.
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Períodos: do jōkotō ao shinsakutō
A espada japonesa organiza-se em poucas classes que não são etiquetas de estilo, mas fronteiras técnicas e legais: cada uma marca uma mudança no aço, na forma da lâmina ou na lei que a regia. Situar uma lâmina na sua classe é o primeiro passo de qualquer kantei (鑑定) e condiciona o que se pode esperar do seu aço, da sua silhueta e dos seus papéis.
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A forma (sugata)
A silhueta de uma lâmina é a primeira coisa que se olha e a que primeiro a data: onde cai a curvatura, quanto se estreita para a ponta, que tamanho tem o kissaki e como assenta na mão. Este tema ensina a ler esses traços um a um, segue a sua evolução período a período e explica porque a forma que vemos hoje numa lâmina antiga nem sempre é a que saiu da forja: quase todas as grandes lâminas kotō foram encurtadas, e séculos de polimentos mudam a ponta, a espessura e até a curvatura.
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Forja e construção
Uma lâmina japonesa é aço escolhido, dobrado, combinado e temperado. Este tema segue a forja desde a areia ferrosa até ao sulco do hi, e separa o que se sabe do que se repete: o que a dobragem faz de facto, porque é que o catálogo de estruturas é um modelo e não um dado, o que significa ver o núcleo e o que a têmpera deixa na lâmina.
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A têmpera à vista
O hamon é a parte da lâmina que mais se olha e a que mais se interpreta mal. O seu desenho ajuda a situar uma escola e uma época, mas o que fala da qualidade é a textura da borda temperada: o grão, o brilho, a regularidade. Este tema percorre os traçados com a sua escola, a atividade visível dentro da têmpera, onde ela começa, a sombra do utsuri, a ponta, e o que o polimento muda e o que não muda.
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A assinatura (mei)
A assinatura (mei, 銘) é a primeira coisa que muitos procuram numa espada e a última que convém olhar. Este tema organiza-a como uma leitura: o que diz, onde fica, quem a gravou e o que vale. O que outros temas do guia já explicam é resumido aqui com uma remissão, para que cada coisa seja explicada uma só vez.
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Geometrias
«A forma (sugata)» conta como muda a silhueta da lâmina de período para período. Este tema põe lado a lado as geometrias com nome — o tachi de Kamakura em confronto com a uchigatana do Muromachi tardio, o Keichō-shintō, o Kanbun-shintō e o estilo de Kiyomaro — e a forma da escola dōtanuki. Cada uma com uma lâmina real medida por um museu ou pela NBTHK; as que têm todas as medidas, desenhadas à mesma escala e passadas pelo modelo da calculadora de «Espada por encomenda», para ver o que muda na mão. E, no fim, o que muda no fio de uma secção para outra, com todos os zukuri.
Estado e cuidados
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O estado da lâmina: defeitos e enganos
Quase nenhuma lâmina antiga está totalmente limpa: quem olha de perto encontra poros, aberturas, marcas de combate ou o rasto de séculos de polimentos. A pergunta útil não é se há defeitos, mas quais são, onde estão e quanto pesam para o uso e para a contemplação. Este tema ordena-os pela origem —a têmpera, a forja, o desgaste, o fogo e o uso—, explica os acrescentos que os tapam e como destapá-los, e termina com uma tabela de gravidade.
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O polimento e os cuidados
Uma lâmina japonesa só mostra o que tem se estiver bem polida, e só o conserva se for bem cuidada. O polimento fixa a forma e revela a têmpera e o grão, mas cada polimento leva também um pouco de aço que não volta. Aqui conta-se como trabalha o polidor, pedra a pedra; o que muda quando uma lâmina é repolida; e como se mantém e se guarda uma espada segundo a NBTHK, com a sua guarda de ferro, o seu cordão e o seu saco.
A montagem
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Estilos de montagem (koshirae)
A montagem é um objeto com história própria: data-se, atribui-se e certifica-se à parte da lâmina que guarda. Uma lâmina de 1500 pode estar numa montagem de 1850 sem que nada desafine, e reconhecer o estilo diz de que época é e como a espada se usava. Estes são os conjuntos que os catálogos nomeiam, e o que está por trás do rótulo «montagem de época».
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A montagem em detalhe
«Estilos de montagem (koshirae)» conta quais conjuntos existem; este tema abre as peças uma a uma. Quem faz uma montagem e em que ordem, de que animal é a pele do punho, para onde olham os menuki, como se lê uma tsuba pelas duas faces, porque é que uma tsuba de ferro fundido não serve para uma espada e o que há dentro de um habaki. No fim, um bestiário para ler os motivos das guarnições.
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Kinkō: a arte do metal das guarnições
Uma tsuba, um kozuka ou um par de menuki podem ser obra de um artista com nome, escola e estilo próprios, tal como a lâmina que acompanham. Este tema trata desses artistas, os kinkō: que metais trabalhavam, com que técnicas, que escolas os ordenam e como se olha hoje para uma peça sua. As peças da montagem e como se montam estão nos dois temas dedicados à montagem.
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A saya
A saya (鞘) é a bainha da espada: uma peça de madeira entalhada por dentro à medida de uma única lâmina, que a guarda, a protege e, na montagem, a leva ao cinto. Este tema percorre-a por inteiro: as suas partes, como a faz o sayashi, as suas lacas, a shirasaya e a sua inscrição, como se conserva e o que convém saber para a usar e para a encomendar. O resto da montagem está em «Estilos de montagem (koshirae)» e em «A montagem em detalhe».
Observar e avaliar
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Papéis do NBTHK
Um papel não transforma uma lâmina em obra de arte: regista o que um júri decidiu sobre ela num dia concreto, com critérios publicados. Saber quem o emitiu, em que nível e em que ano é metade da leitura de uma ficha. A outra metade é saber o que não atesta: o registo japonês de uma espada, por exemplo, não diz nada sobre a sua autenticidade.
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Kantei: como se olha para uma lâmina
Kantei é olhar para uma lâmina até conseguir dizer quem a fez, onde e quando, antes de ler a assinatura. Aqui fica o método: por que ordem se olha, a que pergunta responde cada passo, o que a espiga regista além do nome, o que é um oshigata e como funciona o jogo com que os aficionados japoneses treinam o olho há séculos. O resultado de todo esse trabalho, o certificado, tem um tema próprio: Papéis do NBTHK.
Os forjadores
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O gokaden e as escolas
O gokaden (五箇伝), «as cinco tradições», agrupa as escolas do kotō por província: Yamashiro, Yamato, Bizen, Sōshū e Mino. Não é uma cronologia mas uma ferramenta de peritagem: lê-se o aço, a linha de têmpera e a silhueta, decide-se a tradição e só depois se desce à escola e ao ferreiro. Serve bem para as lâminas do Kamakura médio ao Nanbokuchō e esfuma-se logo que começa o shintō.
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Ferreiros célebres, período a período
Mil anos de espadas deixam alguns milhares de nomes e umas poucas dezenas que todos acabam por conhecer. Esta é uma referência rápida, ordenada por período, com as datas de actividade que as lâminas conservadas sustentam, a escola de cada um e o motivo concreto por que importa. No fim, um resumo dos graus de corte (wazamono) publicados pela casa Yamada no período Edo.
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Graus, provas de corte e títulos
Junto ao nome de um ferreiro aparecem muitas vezes quatro escalas que se confundem: o grau de corte que a casa Yamada lhe deu no período Edo, a classificação de mestria de um repertório do século XX, os papéis da NBTHK sobre cada lâmina e os títulos dos forjadores de hoje. Aqui explica-se o que mede cada uma, como se testava o fio, o que se lê num espigão com prova de corte e quem recebeu os títulos modernos, com as fontes e a data de cada lista.
